As claques – a Juve Leo em particular – funcionaram quase sempre como uma espécie de guarda avançada de Bruno de Carvalho. Isso mesmo começou por ser percetível na noite de 26 de março de 2011. Bruno de Carvalho enfrentava nas urnas Godinho Lopes. O ambiente em Alvalade era tenso, com centenas de adeptos que não arredavam pé das imediações do estádio. Sem saberem quem seria o próximo presidente do Sporting.

Durante o seu mandato, Bruno de Carvalho mostrou sempre uma relação próxima as claques. Quer no apoio que lhes deu, quer na promoção de um estreitamento de relações entre as várias claques. Foi durante a presidência de Bruno de Carvalho que a Juve Leo e o Diretivo Ultras XXI se juntaram no topo sul do Estádio de Alvalade, depois de vários anos de desentendimentos.
Bruno de Carvalho chegou, inclusive, a chamar as claques para julgar ex-presidentes, após acusar os antigos dirigentes de má gestão na sequência de uma auditoria que mandou realizar às anteriores gestões do clube e, particularmente, aos seus antecessores.
As claques foram sempre uma importante base de apoio nos mandatos do antigo líder leonino. Era tão forte a ligação que Bruno de Carvalho chegou a deslocar-se ao lado dos grupos organizados de adeptos ao Estádio da Luz, onde assistiu a um dérbi com o Benfica na caixa de segurança, na bancada.

O jogo em Madrid e o princípio do fim
Após a derrota em Madrid, com o Atlético, o presidente do Sporting não se coibiu de criticar publicamente os jogadores no Facebook. O ambiente começa a ficar cada vez mais pesado em Alvalade e, três dias depois, depois do jogo em Alvalade com o Paços de Ferreira, grande parte dos adeptos começou a contestar Bruno de Carvalho. Exceto a Juventude Leonina que optou por direcionar as críticas para os jogadores.
O clima de tensão aumentou quando Rui Patrício, um dos jogadores em conflito aberto com o presidente, foi alvo de arremesso de tochas por parte da claque do Sporting, num jogo com o Benfica, em Alvalade.
Até que a 15 de maio, num dos dias mais negros na história do Sporting, um grupo de 40 adeptos atacaram o Centro de Estágio de Alcochete. Encapuzados, agrediram técnicos, jogadores e “staff”.
Três dias depois, a claque Juventude Leonina vem garantir em conferência de imprensa que “em nenhum momento houve um pedido, sugestão ou sequer aval do presidente ou de qualquer elemento do Sporting para que a Juve Leo desencadeasse qualquer ação contra os jogadores.”
Mais tarde, a direção de Bruno de Carvalho haveria de emitir um comunicado a anunciar a “suspensão imediata dos benefícios protocolados” à claque Juventude Leonina.

Juve Leo mantêm-se ao lado de Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho é destituído da presidência a 23 de junho na Assembleia Geral extraordinária do Sporting, no entanto vários elementos da claque aparecem ao seu lado manifestando-se contra a sua queda.
Entretanto, Frederico Varandas é eleito o novo presidente do Sporting, nas eleições mais concorridas da história do clube, mas a relação do novo líder leonino com a Juventude Leonina não é a melhor. A tensão aumenta quando Frederico Varandas muda as regras de financiamento das claques, cortando privilégios que essas dispunham durante os mandatos de Bruno de Carvalho.
Na quinta-feira passada, em Londres, na véspera do Arsenal-Sporting, Frederico Varandas discursou no núcleo sportinguista nessa cidade. Assim que o presidente leonino se preparava para iniciar o discurso, elementos da Juve Leo que estavam presentes abandonam a sala, voltando as costas a Varandas e agudizando o clima de tensão.
Este domingo, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes, mais conhecido como Mustafá, são detidos no âmbito da investigação policial à invasão da academia de Alcochete. À mesma hora decorrem buscas na sede da Juventude Leonina, em Alvalade, instantes antes do início do Sporting-Chaves. De resto, a claque sportinguista acaba por protagonizar um momento raro ao não marcar presença com nenhum elemento no topo Sul de Alvalade durante o encontro dos “leões” com os flavienses.