Uma centena de representantes de órgãos de comunicação social regionais debateram, em Pedrogão Grande, os desafios e as oportunidades da imprensa regional.

A imprensa regional portuguesa reuniu em congresso nacional este último fim de semana, em Pedrógão Grande, sob o tema “desfios e oportunidades”, promovido pela Associação Nacional da Imprensa Regional (ANIR), com intervenções de destacadas personalidades, como o Comissário Europeu, Carlos Moedas, o presidente da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, diretores da imprensa nacional, como Manuel Carvalho do Público, e deputados dos grupos parlamentares do PSD, PCP e BE.
Eduardo Costa, diretor do ‘Correio de Azeméis’ e presidente da ANIR, na abertura, destacou que o debate devia conduzir à busca de soluções que fossem resposta para os novos desfios que enfrenta o setor, que vive um período de reconhecida dificuldade, espelhado no encerramento nos últimos anos de cerca de quinhentos títulos.
A centena de congressistas, oriundos de praticamente todas as regiões do país, debateram ‘o digital e negócios do futuro’, ‘literacia, prática da educação para os média’, ‘cidadania e proximidade, a ligação às origens, imprensa de afetos, a voz dos sem voz’, onde intervieram vários especialistas.
A ANIR fez saber que a escolha do local do congresso foi uma forma da imprensa regional levar a sua solidariedade ao sofrido povo pedroguense, vítima da tragédia dos incêndios no ano passado.
A decisão de levar a discussão da imprensa regional até este concelho foi elogiada pela vice-presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Margarida Guedes, presente na sessão de abertura do congresso.
Eduardo Costa, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional, na abertura do congresso subscreveu as palavras do Presidente da República ao afirmar que “não podem morrer mais jornais”,
lembrando que há uma dúzia de anos “éramos mais de seis centenas e hoje somos menos de 150 em publicação regular”. O também diretor do Correio de Azeméis defendeu que “a imprensa regional e local é insubstituível, com conteúdos de proximidade que mais ninguém tem, aproxima os cidadãos das suas terras”.
E acrescentou: “Temos que saber adaptarmo-nos às novas formas de comunicar”, aproveitando as vantagens do digital.
O Comissário Europeu, Carlos Moedas, em intervençãovia digital, refere que “a imprensa regional é importante e, a mim, diz-me muito a nível pessoal. Os desafios são muitos. Conheço bem o
quotidiano e as angústias do jornalismo regional”.
O presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Manuel Machado, disse que “ser político é uma visão de risco, tal como a dos jornalistas”, reconhecendo “o trabalho da imprensa
regional e local”.
O diretor do jornal Público, Manuel Carvalho, afirmou que o digital não tem sucesso se não for uma extensão do jornal impresso e dá como exemplo o facto de o jornal ter “14 milhões de visitantes” no
website do Público.

CONGRESSO NACIONAL
Desafios e Oportunidades

“Uma sociedade democrática plena exige uma comunicação social verdadeiramente independente, pluralista, inclusiva, culturalmente rica e bem-informada” e que “cabe aos média o importante papel de fomentar um debate público permamente, no qual assenta o funcionamento do regime democrático”. “A importância da imprensa regional, enquanto rosto humanizante e próximo do país real, que tem como vocação o jornalismo de proximidade”
SUSANA LAMAS,
Grupo Parlamentar do PSD

“Desde pequeno que tenho uma relação umbilical com a imprensa regional. Esta imprensa dá voz a quem não tem voz, e isso é um facto. Muito do trabalho que é feito pelos deputados, eleitos por várias zonas do país, não teria qualquer repercussão se não fosse a imprensa regional”
ANTÓNIO FILIPE,
Grupo Parlamentar do PCP

“É importante dar voz àqueles que, esmagados num centralismo asfixiante, não têm outra forma de se dar a conhecer senão através dos parcos meios que dispõem regionalmente. São esses meios de comunicação que preservam identidades culturais, que as divulgam e asseguram a sua ligação às origens e que promovem a autoestima da sociedade”
HEITOR SOUSA,
Grupo Parlamentar do BE

“Não acredito que o digital seja o futuro e julgo que vão demorar muitos anos para que o modelo de negócio digital tenha retorno no jornalismo”
JÚLIO MAGALHÃES,
diretor-geral do Porto Canal

“Um jornal só fecha quando dois poderes o decretam: o poder político e económico.
Durante muitos anos, as pessoas foram privadas dos seus jornais de sempre. Desapareceram muitos títulos, e isto é culpa do poder político que tem culpas no cartório, na minha opinião”
PAULA SOFIA LUZ, direção do
Sindicato de Jornalistas

“Um dos grandes desafios da imprensa regional de hoje e no futuro será enfrentar os políticos”
DEOLINDA ALMEIDA,
diretora do Centro de Formação de Jornalistas

“Cada um de nós tem uma rede social no telemóvel e as coisas viajam um bocadinho mais depressa e mais massivamente. Já não será tanto informar o jornal, mas provavelmente informar muito mais gente do que isso”.
MANUEL MONTEIRO,
diretor da Marktest

“Esta era digital é dominada cada vez mais pelas redes sociais, escancaradas ou até encriptadas mas esmagadoramente descaradas e predadoras do espaço público identitário e da vida pública e privada”
SALVATO TRIGO,
reitor da Universidade Fernando Pessoa

“Quando a vicepresidente de Pedrógão disse que a imprensa regional era capaz de tirar a liderança à imprensa nacional, não estamos a falar de uma mera possibilidade: é uma realidade clara e distinta”
LINHO VINHAL,
presidente da Assembleia Geral da
Associação Portuguesa da Imprensa

“A comunidade científica precisa, para a divulgação e cultura científica, dos jornalistas e dos jornais”
ROSALIA VAR
GAS, presidente da Agência Nacional Ciência Viva

“Podemos queixar-nos dos excessos informativos e podemos sempre recorrer ao porto seguro, em que no meio de fontes desconhecidas, parece-me evidente que recorremos ao jornalismo e às suas fontes fidedignas”
NUNO ALEXANDRE FRANCISCO,
Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior

“É importante reforçar a literacia mediática na sociedade portuguesa”
CATARINA MENESES,
diretora do Instituto Politécnico de Leiria

“Nós, como jornalistas, somos
importantes para contribuir para maiores níveis de literacia”
MARCO GOMES,
diretor do Instituto Politécnico de Leiria

“Nós precisamos de gente, da imprensa, dos outros canais de informação mas, muito
especialmente, da imprensa regional. Entendo que os jornalistas têm muita responsabilidade no que diz respeito à história dos territórios e à veracidade das informações”
MARGARIDA GUEDES,
vice-presidente do Município de Pedrógão Grande

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DA IMPRENSA REGIONAL
DEFENDE INTERESSES DOS JORNAIS LOCAIS
A Associação Nacional da Imprensa Regional (ANIR) tem feito intervenções na Assembleia da República no sentido de defender os interesses do setor e alertar para as dificuldades sentidas pelos media regionais, através do seu presidente e diretor do Correio de Azeméis, Eduardo Costa.