O médico, que esta quarta-feira deixa de ser diretor do serviço de Neurologia, fala em lacunas do Hospital em três áreas: falta de recursos humanos, falta de equipamento e más condições das instalações.

Joaquim Pinheiro, médico que fazia parte do grupo de 52 diretores de serviço demissionários , decidiu dar um passo em frente e rescindir o contrato. O diretor do serviço de Neurologia deixa as funções esta quarta-feira, 31 de outubro.
O médico chama-lhe uma “trilogia dramática”: carência de recursos humanos, equipamentos insuficientes e instalações degradadas. “Pessoalmente, não consigo lidar com isso e prefiro estar fora do que pactuar com isto”, sublinha.
“O problema, diz Joaquim Pinheiro, é que a administração do Hospital aceita as queixas, mas não consegue dar respostas. “A administração diz-me que não tem meios para responder às necessidades do serviço, mas tem sido de uma grande cordialidade e lealdade comigo, porque tem concordado e percebido que as dificuldades que existem são reais. Inclusivamente, a Administração Regional de Saúde, com quem tive oportunidade de falar, tem a mesma questão”, frisa.
A solução é financeira e está ao nível da tutela. Joaquim Pinheiro decide por isso abandonar a chefia do serviço, mas não atira a bata ao chão. Vai continuar a acompanhar os doentes mais antigos. “Eu tenho doentes há muitos anos e, embora se diga que não nos devemos envolver afetivamente com os doentes, eu tenho um vínculo com eles, não consigo evitar. Quero continuar a tratá-los. E então propus fazer 20 horas por semana, em que faço três períodos de cinco horas de consulta e um período de hospital de dia, onde faço tratamentos. Portanto, estou cá três ou quatro dias por semana, mas tratando dos doentes diretamente. Gestão não quero fazer”, realça.

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