Advogado da família de Sebastião foi notificado na última semana de que o Ministério Público se abstinha de proferir uma acusação, levando a um novo arquivamento, mas reclamou em tempo útil, tal como já havia feito no início do ano.

A esposa do empresário português raptado e desaparecido em Moçambique desde 2016, Salomé Sebastião, reagiu nesta sexta-feira com surpresa ao segundo arquivamento do caso pela justiça moçambicana. “É surpresa completa. Não estava à espera de nada disto”, referiu à Lusa, em Maputo, onde manteve reuniões na quinta-feira e hoje, uma delas na Presidência da República, apelando ao esclarecimento do caso em torno do desaparecimento de Américo Sebastião.
O advogado da família de Sebastião foi notificado na última semana de que o Ministério Público se abstinha de proferir uma acusação, levando a um novo arquivamento, mas reclamou em tempo útil, tal como já havia feito no início do ano, referiu hoje a esposa. Salomé Sebastião admite que o arquivamento noticiado na quinta-feira pela procuradoria da província de Sofala, em conferência de imprensa, seja este mesmo que já foi alvo de reclamação, na última semana.
Salomé Sebastião foi hoje recebida pela conselheira jurídica do presidente moçambicano, Filipe Nyusi – ausente de Maputo -, a quem deixou “um apelo muito vincado da necessidade de intervenção do presidente como chefe de Estado” e “chefe máximo de Moçambique, sobre quem recai a responsabilidade do que acontece no território”.
Salomé Sebastião pede a Filipe Nyusi que encontre “os mecanismos” para que Américo volte para junto da família. “Apenas Moçambique pode resolver esta questão, dado que até ao momento não aceitou ajuda internacional. Se não aceita é porque, com certeza, compreende que há capacidade para resolver [o caso] e eu acredito que sim”, referiu.
“Com vontade, isto vai resolver-se rapidamente”, acrescentou.