BILHETE DA SEMANA
Eduardo Costa

O neto, uma criança com cerca de dez anos, parecia ter toda a paciência do mundo quando ensinava ao seu avô o funcionamento de um novo telemóvel. “Essa função não precisas saber, pois não vais usar, é para tirar fotos e desfocar o fundo” . À insistência do avô, carinhosamente, lembrou que bastava que soubesse tirar boas fotos, pos  “aquele dispositivo” destinava-se a ser usado por quem queria publicar boas fotos nas redes sociais. O avô lembrou que tinha conta no facebook e gostava de fotografar e publicar aí as suas fotos. Mesmo assim, não convenceu o neto da importância da nova função
do telemóvel. “Oh avô, usas o facebook para escrever para os amigos, publicas fotos antigas e as novas de sítios onde vais ou com amigos. Não precisas de fotos com fundos desfocados, isso é mais para profis-
sionais…” A criança não achava que serviria para algo ao seu avô o conhecimento desse pormenor técnico. Assim decidiu.
A cena diz bem dos novos tempos que vivemos. Até há ainda pouco tempo não passava pela cabeça que não fosse o adulto a ensinar a criança, fosse em matérias escolares ou outros conhecimentos. Hoje, o mais vulgar é ver-se as crianças a ensinar os adultos sobre novas tecnologias, o funcionamento de programas de internet, telemóveis, computadores, etc..
A geração das crianças que hoje frequentam a escola são as primeiras que já nasceram na era digital. Não conhecem outra realidade. A dificuldade está nos adultos, em acompanhar esse novo mundo do digital e da internet. Felizmente, contam com a paciência das crianças.
*JORNALISTA, PRESIDENTE DA
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DA IMPRENSA REGIONAL