BILHETE POSTAL
Eduardo Oliveira Costa*
De repente, acabou-se-me a bateria no telemóvel. A do computador também já era. Estava num aeroporto, em trânsito de horas e não tinha comigo os carregadores respetivos. Por distração, tinha-os colocado na mala despachada. Imperdoável! Vi-me, assim, sem contacto com o exterior e, muito pior do que isso, sem Internet! Sem nada para me distrair. Coisa estranha. Fui dar uma volta. Parei numa livraria. Comprei um livro. Uma historia baseada em factos reais da idade média. Interessante. Pelo menos melhorava o meu inglês.
Fiz a viagem a ler o livro a maior parte do tempo. A história agarrou-me. Descansei a vista. Cansada de olhar para ecrãs luminosos. Também não meti na cabeça dezenas de novas informações. Descansei horas, muitas horas, lendo um livro. Aterramos e tive que esperar pela minha boleia. Tomei um café e
pus o telemóvel a carregar. Continuei a leitura. Ignorando a Internet, a “atualização” da informação e o contacto com o “exterior”. Nem queria acreditar!
Podemos viver sem os aparelhos eletrónicos a todo o tempo, agarrados como viciados?! Redes sociais, e-mails, informações, buscas de qualquer coisa e de tudo, sms, msg, mms… É isso mesmo. Viciados. Há quem profetize que a dependência das tecnologias será uma das maiores doenças deste século. Será tratada como acontece com as reabilitações de dependência de álcool ou drogas.
Compreendo aquele amigo que, quando recebe para jantares em sua casa, convida a deixarmos os telemóveis à entrada. Tal como faz com o tabaco.
Triste esta nova dependência nas tecnologias. Somos viciados e ainda não o sabemos.
*JORNALISTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DA IMPRENSA REGIONAL