O 29.º FIMP – Festival Internacional de Marionetas do Porto arranca já neste sábado, dia 13, e decorre até ao sábado seguinte, dia 20, com várias estreias. Logo nos dois primeiros dias, apresenta cinco projetos no Teatro Rivoli e no Teatro Campo Alegre.

Esta edição é um bom exemplo da “natureza híbrida do programa do FIMP, em que os objetos e a matéria animada assumem o protagonismo”, com peças que vão do “cruzamento entre o teatro de marionetas e outras linguagens” à “relação entre o teatro visual e a robótica industrial”, avança o diretor artístico do festival, Igor Gandra.

O espetáculo de abertura é a estreia nacional de “Sans Objet”, da Cie. 111, marcada para as 21 horas de sábado no Rivoli. O encenador e fundador de companhia, Aurélien Bory, apresenta uma reflexão sobre as relações entre homem e máquina: dois homens e uma plataforma que é habitada por um braço robótico industrial, um dispositivo em que esta bela peça de alta precisão (bio)mecânica se desenrola. O encenador francês desenvolve trabalhos dentro de um teatro mais físico, singular e híbrido, no cruzamento de várias disciplinas, como o teatro, o circo, a dança, as artes visuais e a música.

Também no primeiro dia do FIMP e igualmente em estreia nacional no Rivoli, apresenta-se a peça “Coisas que se esquecem facilmente”, uma experiência teatral muito intimista. São seis pessoas reunidas à volta de uma mesa, onde o artista irá manipular imagens, pequenos objetos, memórias e tempo. Um trabalho de Xavier Bobés que propõe uma reflexão sobre a História recente de Espanha.

O artista tem vindo a desenvolver o seu trabalho na Cia. Playground, nome dado ao método de trabalho e de pesquisa no âmbito dos objetos quotidianos, conferindo-lhes novos significados em contextos inesperados enquadrados num mundo de imaginação. Récitas nos dias 13, 14 e 15.

Ainda neste sábado, o FIMP ocupa também o subpalco do Rivoli, em parceria com a Matéria Prima. Diretamente de Manchester, o homem-orquestra Paddy Steer, inspirado pela imagética de Sun Ra, apresenta-se às 23,30 horas.

A performance ritual das personagens que habitam o universo deste artista vai transformar o espaço numa verdadeira gruta de prodígios libertários. A eletrónica customizada, a percussão e a voz processada combinam-se nos concertos de Paddy Steer numa espécie de cerimonial caótico e enérgico, em que o músico, com a sua vasta experiência, nos conduz por territórios selvagens e ao mesmo tempo amigáveis.

Já no Teatro Campo Alegre, no domingo, a coreógrafa Cláudia Dias e o marionetista Igor Gandra – diretor artístico do FIMP e artista convidado desta edição do projeto “Sete anos, sete peças” coproduzida pelo Teatro Municipal do Porto – apresentam “Quarta-Feira: O tempo das cerejas”.  A peça é apresentada segundo uma linha cronológica composta tanto por factos ocorridos como por outros ainda por acontecer: uma tarefa, um espaço, uma matéria e um desejo de transformação do mundo.

Consulte toda a programação e mais informações em fimp.pt.