BILHETE POSTAL
Eduardo Oliveira Costa*

Uma receita dos casinos de 30 mil milhões de euros e mais de 32 milhões de turistas externos. É este o retrato de Macau de hoje, a poucos meses de fazer duas décadas de gestão chinesa. Quem viu o território quanto administrado pelos portugueses fica abismado. O maior casino, na altura, é hoje um rato ao pé de muitos elefantes. Enormes e espetaculares casinos (e muitos!) fazem do pequeno território a capital mundial do jogo.
Perguntar-se-á porque Macau, nas mãos dos chineses, conheceu tamanha expansão. A resposta tem muito que ver com a nossa triste realidade, de país permanentemente adiado, sempre em dificuldades.
Monopólio. Isso mesmo. A nossa (infeliz) tradição de dar o monopólio dos negócios a quem está instalado.
No tempo do doutor Salazar chamaram-lhe ‘condicionamento industrial’. Meia dúzia de famílias dominavam. Com a democracia, apenas mudaram algumas famílias. A (triste) tradição manteve-se. Lembro que quando o anterior governo quis privatizar um dos dois canais de televisão pública, que pagamos com as taxas que vem na conta da energia, foi nomeada uma comissão, onde estavam os donos das televisões existentes. Não havia espaço para mais nenhum canal privado. Foi a “estranhíssima” conclusão.
Valha-nos a Santa paciência. Este vício de ‘nacional porreirismo’ faz de todos nós uma multidão de parvos. Faz ‘adivinhar’ o que seria Portugal se não é esse vício entranhado de dar os (bons) negócios sempre aos mesmos.

*Jornalista, Presidente da Associação Nacional
da Imprensa Regional