BILHETE POSTAL
*Eduardo Oliveira Costa
“Esta decisão sobre o ‘Infarmed’ irrita, deram o dito por não dito e já não vêm para o Porto! Os políticos deviam ter palavra! Garantem uma coisa, depois alteram. Não têm palavra!”
O taxista que me transportava estava revoltado sobretudo com uma coisa: o não cumprimento de uma promessa do governo. O que mais o irritava era a “falta de palavra”. “Como é que podemos acreditar neles?! Que vontade temos de votar neles?! São pessoas sem palavra, que mentem, al- drabam, dizem e desdizem…”
A irritação deste homem para com estas atitudes da classe política não deixa de ser comum à maioria dos cidadãos. Infelizmente.
A classe política caiu em descrédito desde há muito. E não se vêem sinais de alteração de comportamento que faça reconquistar a confiança dos eleitores. Perde a democracia representativa, pois cada vez os eleitos representam menos cidadãos. Cada vez são menos os que votam. Não acreditam. Não têm referências que os façam ir às urnas. Os cidadãos fazem, assim, um protesto silencioso, não exercendo o direito de voto.
É absolutamente necessário que os nossos políticos sejam mais críticos para com os seus pares que não respeitem os cidadãos. Têm que ser a própria classe política a adoptar um código de ética. Onde comportamentos como os de prometer o que bem se sabe que não vai ser cumprido sejam vistos como prejudiciais ao regime democrático. Para que se acabe de vez com o vício instalado na classe política de não respeitar o prometido. Palavra dada, palavra honrada. Ganham a democracia e a cidadania. Ganha-
mos todos.
*JORNALISTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DA IMPRENSA REGIONAL