O chefe da diplomacia timorense, Dionísio Babo, pediu ontem, em Cabo Verde, aos países lusófonos para que apoiem o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) como órgão responsável pela afirmação do português como língua global.

“É a língua portuguesa que em primeiro lugar define a cidadania na comunidade e merece estar no mesmo patamar que as restantes línguas internacionais”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, na abertura da XII conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorre entre hoje e quarta-feira em Santa Maria, ilha do Sal.
“Saibamos dar-lhe o crédito e o valor que tem e sem dúvida merece”, sustentou Dionísio Babo, que começou a sua intervenção afirmando que o Presidente de Timor-Leste, Francisco Guterres Lu-Olo, não pôde estar presente na cimeira “devido à situação de mudança de Governo”.
Timor-Leste, acrescentou, “não poderia deixar de mencionar a importância vital que o IILP tem tido na consolidação da visibilidade da língua nos fóruns internacionais e da construção da própria língua”.
O governante timorense recordou que são “muitos milhões” os falantes da língua portuguesa “e nada justifica o seu abandono”.
“Esses milhões são uma característica, entre muitas outras, que confere à língua portuguesa uma dimensão global”, salientou.
“Estou certo da consciência comum de que o IILP é a instituição que, devidamente capacitada a nível humano e financeiro, poderá e deverá ser o principal instrumento no que à língua diz respeito na sua difusão, expansão e internacionalização”, disse ainda.
O IILP vive um subfinanciamento crónico e há dúvidas, nesta altura, sobre a sucessão da atual diretora-executiva, a moçambicana Marisa Mendonça, já que a Guiné-Bissau, país a quem compete indicar um nome, remeteu essa decisão para setembro.
A nomeação do próximo responsável do IILP deveria ser aprovada na cimeira do Sal.
Durante a XII conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, com o lema “Cultura, Pessoas e Oceanos”, Cabo Verde vai assumir o exercício da presidência desta organização, durante o período de dois anos.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os Estados-membros da CPLP.