As escritoras portuguesas Maria Teresa Horta e Isabela Figueiredo, e o cineasta Vasco Pimentel, estão confirmados na Festa Literária Internacional de Paraty 2018 (Flip), que decorre entre 25 e 29 de julho, em Paraty no Rio de Janeiro, Brasil.

A Flip 2018 reúne 33 autores e artistas, entre poetas, romancistas, ensaístas, historiadores, cineastas, provenientes de diversos países.
A autora brasileira Hilda Hilst, considerada uma das maiores escritoras de língua portuguesa do século XX, será homenageada nesta Festa Literária, que já vai na sua 16ª edição.
As mesas literárias abordarão temas como o amor, o sexo, a morte, Deus e a transcendência – todos presentes na obra de Hilst, constituindo, assim, “uma Flip mais íntima”, segundo Joselia Aguiar, curadora do evento.
Maria Teresa Horta é uma jornalista, escritora e poetisa portuguesa, conhecida como uma das grandes vozes do feminismo, tendo sido censurada pelo regime salazarista. Publicou obras como as Novas Cartas Portuguesas (1971), As Luzes de Leonor (2012) e Minha Senhora de Mim, esta apreendida pela PIDE, em 1971, sendo novamente publicado em 2015. A escritora vai participar nesta Festa Literária através de videoconferência, uma vez que está impedida de se deslocar de avião até ao Brasil, por recomendação médica.
Apesar de não terem tido proximidade, Maria Teresa Horta e Hilda Hilst são da mesma geração, e passaram por episódios políticos e culturais semelhantes – como a luta feminista e a ditadura – encarados, no entanto, de forma diferente”, diz Joselia Aguiar. “Nesta edição da Flip, para além de homenagearmos Maria Teresa Horta, vamos assinalar o laço entre poetas do Brasil e de Portugal.”
Isabela Figueiredo é outra presença neste festival literário brasileiro. Filha de portugueses, que regressaram a Lisboa depois da independência de Moçambique, estudou línguas e literaturas lusófonas, sociologia das religiões e questões de género. Foi jornalista no Diário de Notícias e hoje é professora de português. Conto é Como Quem Diz (1988), foi a sua obra de estreia, e recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias. Publicou o Caderno de Memórias Coloniais, que se tornou uma obra central no debate sobre racismo e o passado colonial português, e mais recentemente publicou A Gorda.
Confirmado está também o diretor de som Vasco Pimentel, que estudou música no Conservatório Nacional de Lisboa, e recebeu formação em cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Em atividade desde 1979, trabalhou em mais de 140 filmes de longa-metragem – entre eles O Céude Lisboa, de Wim Wenders; Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes; Vazante, de Daniela Thomas, e Hilda Hilst pede Contato, de Gabriela Greeb. Deu ainda aulas e workshops em instituições como a Universidade Nova de Lisboa, a London FilmSchool e a Cinemateca de Madrid.