BILHETE POSTAL
Eduardo Oliveira Costa*

Vamos ter seriamente de nos dedicar a ter mais bebés! Temos atualmente uma fecundidade que é das mais baixas do mundo! 1,3 filhos por mulher em idade fértil. O ideal seria 2,1. A população tem vindo a cair há nove anos consecutivos. Continuam a morrer mais pessoas do que a nascer. Em 2017 o saldo foi negativo em cerca de 24 mil pessoas. A continuar assim – advertem os especialistas – em 2060 seremos entre 6,5 milhões e 8,5 milhões, num cenário menos e mais otimista.
Mas tão grave quanto isso é a idade média dos portugueses. Em 2006, por cada 100 jovens havia 112 idosos. Dez anos depois este número tinha subido para 151.
A esperança de vida também vai aumentar. Morre-se cada vez mais tarde. 84 anos para os homens e quase 89 para as mulheres. Há década e meia era de 73 anos para os homens e 80 para as mulheres.
Os portugueses não gostam de bebés?! O motivo estará provavelmente relacionado com as condições de custo de vida, de rendimento e de estabilidade económica de Portugal. Num país que faliu há quase uma década e ainda não recuperou, com uma carga pesada de impostos, é natural que se instale a incerteza no futuro e os jovens não assumam tão facilmente responsabilidades parentais.
Aliás, mais de metade dos nascimentos aconteceram “fora do casamento”.
Solução?! Criar condições económicas para que os jovens decidam ter filhos e sobretudo mais do que um. Segundo um estudo divulgado há um par de anos, as famílias portuguesas querem ter mais filhos, mas não acreditam que vão ter condições para cumprir o desejo.

*jornalista, presidente da Associação Nacional
da Imprensa regional