João Lourenço anula contratos adjudicados a empresas da família de José Eduardo dos Santos em Angola. Para economista, medida é positiva, mas não chega para acabar com favoritismos. “Não podemos ficar descansados”, diz.

A anulação de contratos adjudicados sem concurso público por José Eduardo dos Santos aos filhos será um sinal do Presidente de Angola, João Lourenço, contra o domínio económico da família do ex-chefe de Estado no país? Em entrevista à DW África, o economista angolano Manuel Alves da Rocha diz que nota “um processo de perseguição do Presidente José Eduardo dos Santos, eventualmente, por divergências políticas do passado.”
No último mês de junho, João Lourenço revogou contratos adjudicados sem concurso público por José Eduardo dos Santos aos filhos, Isabel dos Santos e José Filomeno dos Santos. Segundo o jornal português Expresso, os contratos eram de 20 mil milhões de dólares. A anulação afeta, por exemplo, a ligação da Sodiam, empresa estatal de comercialização de diamantes, à Odyssey, utilizada no negócio por Isabel dos Santos, revela o jornal.
Vários negócios de Isabel dos Santos são afetados pela medida adotada por João Lourenço
O contrato de construção do porto da Barra do Dande, orçado em 1.500 milhões de dólares e garantido por José Eduardo dos Santos à Atlantic Ventures uma semana antes de deixar o poder, ficará no âmbito de um concurso público internacional. Mas a empresa associada a Isabel dos Santos considerou a revogação como “infundada” e alertou que o Estado angolano ficará “exposto ao pagamento de indemnizações previstas pela lei angolana e pelo Direito Internacional”. José Filomeno dos Santos também terá sido afetado. A empresa Sompepa, da qual é associado, terá tido os direitos mineiros para exploração de ouro retirados.
Para Manuel Alves da Rocha, ainda é prematuro dizer que o país está a dar passos para reduzir os privilégios só para alguns. “Há aí muito mais famílias [além da família dos Santos] que também obtiveram as suas fortunas e os seus negócios por vias menos legais, menos legítimas, menos transparentes”, disse. “A medida é bem vinda, mas não é suficiente para se criar uma mentalidade diferente.”