Seis exposições e uma intervenção de arte urbana de 27 artistas de Portugal, outros países lusófonos e da China vão estar em destaque em Macau, a partir de 9 de julho.

A mostra ‘Alter Ego’ composta por seis exposições e uma intervenção de arte urbana vão ‘invadir’ a cidade de Macau, China, de 9 de julho a 9 de setembro.
O fio condutor das liga as seis exposições é uma “reflexão sobre o ser humano”, motivo pelo qual a mostra intitula-se ‘alter ego’, “o segundo eu”, explicou a francesa Pauline Foessel, curadora da mostra com o artista português Alexandre Farto (Vhils), em declarações à Lusa.
Apesar de serem seis exposições diferentes, com artistas diferentes, “idealmente o público deve visitar todas”.
Entre os trabalhos expostos há “pintura, instalação, serigrafia, escultura”, estando algumas peças “ainda em produção, porque estão a ser feitas no local, são ‘site specific’”, referiu Alexandre Farto.
“Há muita diversidade de meios e isso também vem do facto de se juntarem aqui 27 artistas, cada um com o seu percurso, o seu trabalho”, disse. Apesar disso, acrescentou Pauline Foessel, “há diálogo e interligação entre o trabalho dos artistas”.
A ‘rota’ das exposições começa com ‘O Eu’, que estará patente no Museu de Arte de Macau, “que é basicamente ‘eu tenho que me conhecer para começar a conhecer o outro’”, descreveu Pauline Foessel.
Aqui estarão expostas obras do são-tomense Herberto Smith, da dupla de portugueses João Ó & Rita Machado, do chinês Li Hongbo, do moçambicano Mauro Pinto, de Vhils e do artista de Hong Kong Wing Shya.
De ‘O Eu’, segue-se para ‘O Outro’, partindo da premissa de que “para existir preciso do outro”.
Esta exposição, que reúne trabalhos do guineense Abdel Queta Tavares, da macaense Ann Hoi, do cabo-verdiano Fidel Évora, dos portugueses Estúdio Pedrita e Ricardo Gritto, dos timorenses Tony Amaral e Xisto Soares, do chinês Zhang Dali e do artista de Hong Kong Yiu Chi Leung, estará patente no Edifício do Antigo Tribunal.

Trabalhos fortes que se interligam

Na terceira exposição, ‘Da Linguagem à Viagem’ passa-se “à interação – entre mim e alguém preciso de linguagem –, com uma dupla de artistas (o brasileiro Marcelo Cidade e o angolano Yonamine) a refletir sobre esse conceito”.
Na quarta exposição, que estará patente na Galeria de Exposições Temporárias do IACM, dá-se o ‘Choque Cultural’, que “pode acontecer nas trocas e nas viagens, por diferenças culturais”.
Aqui será possível apreciar-se obras do moçambicano Gonçalo Mabunda, dos angolanos Kiluanji Kia Henda e Nástio e do português Miguel Januário.
“Depois disso passamos à ‘Globalização’ (patente nas Casas de Taipa), o conceito mais abrangente que surgiu de todas as interações entre os diferentes países”, contou Pauline Foessel. Aqui estarão expostos trabalhos do brasileiro Guilherme Gafi e da portuguesa Wasted Rita.
A sexta e última exposição, patente nas Oficinais Navais n.º1 – Centro de Arte Contemporânea, foi batizada com o nome da mostra. ‘Alter Ego’ e é uma exposição individual do luso-angolano Francisco Vidal.
Além das seis exposições dentro de portas, haverá uma intervenção de arte urbana, “transportando os temas explorados no espaço museológico para a esfera pública”, da autoria do português Add Fuel.
Os curadores, segundo Alexandre Farto, tentaram “reunir um conjunto de trabalhos fortes e que se interligassem uns com outros, porque também é uma oportunidade única de mostrar o trabalho destes artistas em Macau, que é uma porta de entrada para a China e para a Ásia em geral”.
“Criar e ganhar espaço para que estes artistas tenham visibilidade”, acrescentou.
As seis exposições ficam patentes até 09 de setembro.
A mostra ‘Alter Ego’ faz parte da Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa, integrada no Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, organizado pelo Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau.