Camionistas têm ordens para dormir longe do Canal que separa França do Reino Unido.

Como que por magia…” Ainda hoje Paulo Fonseca, motorista português que anda por França, não consegue perceber como é que seis migrantes (quatro adultos e duas crianças) se esconderam no camião que conduz”.
O caso aconteceu-lhe há dias e não teve consequências pois a carga ficaria por França e não ia para o Reino Unido onde passar com um clandestino custa pelo menos três mil euros (por pessoa).
“Cheguei à loja onde ia descarregar e qual não é o meu espanto quando abro a porta, selada e sem qualquer sinal de ter sido violada, e me aparecem seis pessoas a sorrir e a pedir uma desculpa, acanhada, em francês…”
Os migrantes desapareceram e o diretor da loja assistiu a tudo, tendo ligado à polícia mas as autoridades nem quiseram ouvir o motorista português.
Em França os casos são comuns e os clandestinos já lá vivem pelo que, como explica a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), é normal a reação pouco preocupada das polícias.
Apesar dos migrantes escondidos no camião, o cliente não rejeitou a carga o que tirou um peso de cima de Paulo Fonseca que sublinha que para “azar daqueles desgraçados, que vivem vidas terríveis, o camião não ia para Inglaterra”, destino de sonho de muitos dos clandestinos que andam perto do Canal da Mancha à espera de uma oportunidade para sair de França.