A mini-ópera cómica “Cantata do Café”, de J. S. Bach, e a “Missa de Notre-Dame”, de Guillaume de Machaut abrem neste sábado o In Spiritum – Festival de Música do Porto, que se prolonga até à próxima quarta-feira em diversos locais emblemáticos da cidade. 
A primeira apresentação acontece pelas 17,30 horas no Café Astória do Hotel InterContinental (Palácio das Cardoso – Praça de Almeida Garrett) e é um elogio ao café/bebida encomendado a J. S. Bach pelo proprietário do Café Zimmerman, de Leipzig, em 1732. Com “Cantata do Café / Kaffeekantate, BWV 211”, Bach compôs um apelo humorístico ao consumo e à aceitação social da bebida por parte da mulher. A peça foi (mais) um êxito de Bach e uma bofetada dupla numa sociedade conservadora: a mulher não devia beber café e também não devia cantar.
Nesta edição do In Spiritum, a cantata é da responsabilidade do Curso de Música Antiga da ESMAE, com direção cénica de Catarina Costa e Silva e direção musical de Pedro Sousa Silva.
Ainda no primeiro dia do festival, um ambiente mais solene toma conta da Casa do Infante, pelas 21,30 horas, quando o Grupo Vocal Olisipo interpreta a “Missa de Notre Dame” que o clérigo, poeta, diplomata e músico francês Machaut compôs para a catedral gótica de Notre-Dame de Reims. Trata-se de uma obra-prima da música sacra medieval que foi criada por volta de 1364, possivelmente a propósito da coroação do rei Charles V, e que se tornou emblemática também por ser a primeira missa completa que se conhece escrita por um mesmo autor.