Aumentar as taxas e a qualidade do êxito educativo e combater o abandono precoce da escola são os grandes objetivos norteadores da estratégia municipal de promoção do sucesso escolar, apresentada ontem pela Câmara do Porto.
Denominado Programa de Promoção e Aprendizagem da Língua Portuguesa (PPALP), a iniciativa é coordenada pelo Município, em parceria com o Instituto Politécnico do Porto (P.Porto) – que faz a coordenação científica -, os agrupamentos de escolas do concelho e duas escolas secundárias – Escola Secundária Filipa de Vilhena e Escola Artística Soares dos Reis – e pretende abranger o universo de 4700 alunos, do pré-escolar ao secundário, até final de agosto de 2020.
“Apesar do esforço que temos vindo a desenvolver, efetivamente é necessário ações mais musculadas, direcionadas, que atendam à especificidade e individualidade de cada uma das crianças e dos alunos que têm dificuldades [na aprendizagem] e, de uma forma precoce, remover essas dificuldades”, explica Fernando Paulo, vereador da Câmara do Porto com o pelouro da Educação.
O projeto PPALP representa um investimento de quase 1,190 mil euros, assegurado por uma candidatura já aprovada a fundos europeus, através do programa operacional Norte 2020, e que já tem resultados práticos no terreno, uma vez que desenvolveu uma ação piloto em quatro agrupamentos de escolas da cidade, em 2015.
Rosário Gamboa, presidente do P. Porto, explicou que os resultados obtidos nos quatro agrupamentos “piloto” pelo Centro de Investigação e Intervenção na Leitura (CiiL), que tem desenvolvido uma intervenção precoce para grupos de risco no jardim-de-infância (5 anos) e no 1.º ano, com ações de promoção das competências de leitura, são muito “animadores”.
“Das crianças que estavam em situação de dificuldade, 80% recuperaram. Isto é uma aprendizagem fundamental porque é estruturante, não só para língua, a comunicação e a cidadania, repercutindo-se em todas as outras aprendizagens seguintes”, referiu.
A arquitetura do PPALP envolve duas grandes ações, uma a desenvolver pelo CiiL e em jeito de continuidade do trabalho até aqui executado, e outra direcionada para os alunos dos 3.º ciclo e do Ensino Secundário e que complementa atividades já desenvolvidas nas escolas, neste caso, a Secundária Filipa de Vilhena e a Artística Soares dos Reis.
No caso do CiiL, a intervenção está desenhada para dois grupos-alvo. Nas crianças dos 5 anos do jardim-de-infância o objetivo é agir a nível preventivo, dotando os mais novos de competências facilitadoras da aprendizagem. Já no 1.º ano do Ensino Básico, a ação focaliza-se em grupos de risco de insucesso escolar, nomeadamente, crianças com dificuldades na aprendizagem da leitura.
Ana Sucena, coordenadora científica do CiiL, sublinha que o contexto socioeconómico dos alunos continua a ser um fator determinante para o sucesso da aprendizagem, sendo os níveis “baixos” fatores preferenciais de risco, contudo não é “determinístico”.
“Perante um grupo à partida de risco e de nível socioeconómico baixo, se tivermos ações de promoção, conseguimos um efeito nivelador ao nível da aprendizagem”, refere a coordenadora, esclarecendo que a ação do CiiL intervém em diversos meios, não apenas nos carenciados.
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