O médico João Semedo, de 65 anos, ex-coordenador nacional do BE e deputado na Assembleia da República durante quase dez anos, candidata-se este ano à autarquia portuense, na qual o partido nunca conseguiu um lugar na vereação.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, que entre 2012 e 2014 partilhou com Semedo um modelo de liderança ‘bicéfala’ que os bloquistas acabaram por abandonar, destaca-lhe a “coragem”, “determinação” e “generosidade”.

O ex-líder do partido, Francisco Louçã, enaltece a “grandeza”, a “coerência”, o “humanismo e dedicação” de João Semedo, um “médico empenhado” com um “extraordinário percurso profissional”.

João Teixeira Lopes, que já várias vezes foi cabeça-de-lista do BE à Câmara do Porto e em 2017 encabeça a lista para a Assembleia Municipal, aponta Semedo como um “homem de grande coragem, sem preconceitos ou sectarismos”, que “tem a grande preocupação de alargar a área de influência do Bloco de Esquerda aos setores independentes e socialistas.

“Conheci-o no final do século passado, quando ele era funcionário do setor intelectual do PCP. Discreto, era extremamente hábil e observador, captando rapidamente o ambiente das situações e das pessoas”, descreve Teixeira Lopes, em declarações à Lusa.

Já no BE, que Semedo integra desde 2007, o sociólogo diz que apreciou, sobretudo, o “sentido de humor” do candidato, assinalando também a forma “sistemática, racional e analítica” com que Semedo “interpretava os dilemas políticos”.

Catarina Martins aponta a Semedo “um percurso, preparação e capacidade política e pessoal que o país reconhece”.

“Pessoalmente sou devedora da sua generosidade e, tendo tido o privilégio de partilhar de perto o caminho dos últimos anos, sou testemunha da sua coragem e determinação”, afirma.

Francisco Louçã sustenta que Semedo “é muito conhecido pela sua coerência na sociedade portuguesa”.

Recorda que “foi um combatente antifascista, membro do comité central do PCP” e “depois afastou-se discretamente por divergências de fundo”, mas “nunca viveu para ajustes de contas” e “só muito mais tarde veio a participar no Bloco”.

“O humanismo, a dedicação e a profundidade de um homem que não fez da política a sua profissão, mas que se empenhou pelos outros por ser a sua forma de viver, demonstram a grandeza de Semedo”, elogia Louçã.

Louçã observa que a área da medicina escolhida por Semedo, a das doenças infetocontagiosas, “é uma das fronteiras de risco na medicina e a excelência do seu trabalho continua a ser uma referência para os cuidados para essa parte da população carenciada da cidade”.

João Semedo nasceu em Lisboa, mas vive no Porto há 40 anos e, entre 2000 e 2006, foi presidente do Conselho de Administração do Hospital Joaquim Urbano.

Há um ano, saiu da Mesa Nacional do BE, justificando que a decisão não era tomada por discordância ou desmotivação, mas por considerar ser tempo de “ter outra forma de intervenção política e partidária”.

Em 2004, como independente, integrou a lista do BE ao Parlamento Europeu e, em 2005, foi candidato à Assembleia da República pelos bloquistas, candidatura que repetiu em 2009 e 2011 como cabeça de lista pelo círculo do Porto.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi militante comunista. Ingressou na UEC/PCP em 1972. Em 1973 foi detido pela PIDE/DGS, acusado de atividades subversivas.

Fez parte da Comissão Central da UEC (juventude comunista) e do Comité Central (CC) do PCP. Demitiu-se do CC em 1991 e abandonou o partido em 2003, ano em que participou na criação da Renovação Comunista.

Em 2015, participou na fundação do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”, a cuja coordenação pertence desde então.

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