A paróquia de São Nicolau, no Centro Histórico do Porto, vai acolher um projeto em rede para a recuperação de imóveis religiosos da cidade, bem como do seu património imaterial.

O primeiro passo ocorreu ontem, com a bênção das grávidas nas Festividades de Nossa Senhora do Ó, na Ribeira. E, no próximo ano, regressam os batizados de São João Batista, na igreja de São João Novo, cujo prática caiu em desuso há muitas décadas.

Bem antes da hora marcada, a pequena capela do século XVII no Largo do Terreiro já estava cheia e tinha fiéis especiais: quatro grávidas que seriam abençoadas pelo padre Jardim Moreira, sob o olhar protetor de Nossa Senhora do Ó. Eram para ser mais, mas, anteontem, um par de gémeos fintou o calendário e decidiu vir ao Mundo mais cedo. Mesmo assim, o clérigo considerou o reativar da tradição como uma boa primeira etapa dum projeto mais alargado para promover a natalidade e o regresso das famílias ao Centro Histórico.

“Estamos num centro despovoado, num momento em que a natalidade está muito limitada e a família gravemente atacada e ameaçada. Não é fácil que as pessoas se disponham a vir, mas vieram”, elogiou o pároco de S. Nicolau. Jardim Moreira acredita que temos de “relançar a dignidade da vida” e pensar no futuro em vez de “ficarmos iludidos com esta visão bastante engraçada com gente de toda a Europa”. É que, “depois de eles irem embora, é preciso ver quem vai dar vida a estas casas e à cidade”.

Daí a importância da aprovação comunitária (concedida há um mês) do projeto de recuperação material – “o património edificado religioso” – e imaterial – “os seus valores cristãos subjacentes”. “Estamos a ver se retomamos valores que estão um pouco em crise, explicou. E a religião “é a alavanca correta” para essa tarefa “porque não tem partidos, fações e não busca interesses pessoais. Busca apenas o desenvolvimento integral da pessoa humana e das comunidades no bem comum”. Essa “posição livre, de não estar contra ninguém ou à procura de lucros para alguém, é o oposto do que neste momento alimenta a sociedade em que vivemos”, garantiu.

O projeto será apresentado a 1 de dezembro.

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