A Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) revelou hoje que o parque infantil desenhado por José Carlos Loureiro, autor do Pavilhão Rosa Mota, vai ser demolido e substituído por “uma peça arquitetónica” de meio milhão de euros.

Em declarações à Lusa, fonte da SCMP esclareceu que a decisão de remover o parque infantil do Conjunto Habitacional Luso-Lima, na rua da Alegria, surgiu depois de ter recebido da Câmara “uma notificação” quanto à necessidade de analisar “urgentemente” a segurança do espaço.

Fonte da presidência da Câmara do Porto recusou hoje ter mandado demolir o parque infantil, alegando ter-se limitado, na sequência de “várias queixas” sobre o perigo do mesmo, a solicitar à proprietária, a SCMP, que fosse “avaliado, relativamente às questões de segurança, o mais urgente possível”.

“A SCMP avaliou e optou pela demolição”, depois de falar com o arquiteto, esclareceu fonte do gabinete de comunicação da SCMP.

A mesma fonte adiantou que, depois de demolido, o parque infantil, “que não estava classificado”, vai ser substituído por “uma peça arquitetónica desenvolvida em articulação com o arquiteto [José Carlos Loureiro] e orçada em meio milhão de euros”.

Fonte da presidência da autarquia explicou à Lusa que, apesar de o parque não ser propriedade do município, este tem “competências de fiscalização” que o levam a “ter de zelar pela segurança daquilo que tem acesso público”, pelo que pediu a avaliação da SCMP depois de ter recebido “várias queixas sobre a degradação e riscos para a segurança” do espaço.

“Em sequência das reclamações que nos são dirigidas relativamente ao mau estado de conservação em que se encontra o parque infantil sito na Rua da Alegria, principalmente por pôr em perigo a integridade física dos utentes, vimos por este meio solicitar que o mesmo seja avaliado, relativamente às questões de segurança, o mais urgente possível”, indicou a autarquia à SCMP, numa comunicação que fonte da presidência do município reproduziu à Lusa por escrito.

De acordo com fonte da SCMP, “o espaço estava degradado e ao abandono”.

A mesma fonte destacou que a SCMP “sempre se preocupou com a segurança do edificado”, motivo pelo qual agendou para breve a recuperação da fachada do edifício do hospital de Santo António, de que é proprietária.

A Lusa tentou hoje, sem sucesso, contactar o arquiteto José Carlos Loureiro, que, em declarações ao site de informação Porto24, admitiu ter sido consultado sobre a demolição do parque infantil, cometendo “o erro de pensar que [apenas] substituiriam os equipamentos interiores ao muro”.

O arquiteto de 89 anos, que tem ali instalado o seu gabinete, foi surpreendido na segunda-feira com a demolição e, ao site Porto24, defendeu que o conjunto não devia ser todo destruído, acrescentando ter recebido apelos à manutenção do parque infantil “de várias figuras das Belas Artes e da Fundação Marques da Silva”.

José Carlos Loureiro disse ainda esperar por uma reunião com a SCMP para encontrar “uma solução de consenso” que permita salvar o equipamento.

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